Resumo rápido
Protocolo de 3-5 repetições em sequência com intervalos (10-20s).
Avalia potência, explosão e eficiência do salto dos membros inferiores
Eventos e fases detectados automaticamente pelo Mokapp
Apoia decisões sobre treinamento, progressão de carga, reabilitação e retorno ao esporte
Relatório com métricas de performance e cinemática angular.
Nome: CMJ — Countermovement Jump
Categoria: Membros inferiores · potência e explosão
Duração típica: 20-25s
Ideal para: triagem, avaliação de potência de membros inferiores, controel de fadiga, reabilitação e retorno ao esporte.
Incluído no Mokapp Detecção automática
Compartilhar este artigo
Copiar link WhatsApp LinkedIn
Descritiva do teste
O Countermovement Jump (CMJ) é um dos testes mais usados para avaliar a potência dos membros inferiores. A partir de um agachamento rápido seguido de um salto vertical máximo, o teste mostra como a pessoa consegue gerar força em pouco tempo, aproveitando o ciclo de alongamento e encurtamento dos músculos.
Por ser simples, rápido e não exigir equipamentos complexos, o CMJ é amplamente aplicado tanto no treinamento esportivo quanto na reabilitação. Ele fornece dados importantes sobre desempenho físico, eficiência do salto, sinais de fadiga e padrões de aterrissagem, além de ajudar no acompanhamento da evolução ao longo das sessões.
Com a análise 3D, o CMJ vai além da altura do salto, permitindo observar como quadril, joelhos, tornozelos, pelve e tronco se organizam durante o movimento, além de identificar assimetrias e estratégias mecânicas que influenciam desempenho e risco de lesão.
Método
Apesar de parecer simples, a execução correta do CMJ é essencial para garantir dados confiáveis e comparáveis. Como o teste envolve uma rápida transição entre descida e subida, pequenas variações na técnica podem alterar significativamente os resultados de potência, velocidade e aterrissagem.
Quando o protocolo é bem padronizado, a análise tridimensional consegue capturar com mais precisão o impulso do salto, a sincronia das articulações e o comportamento do corpo na aterrissagem, ampliando o valor clínico e esportivo da avaliação.
Por isso, o método do CMJ organiza a posição inicial, a execução do contramovimento, o salto e a aterrissagem, criando uma base consistente para interpretar desempenho, fadiga e resposta ao treinamento ou à reabilitação.
Passo a passo
Posição inicial (baseline): em pé, postura ereta, olhar direcionado à frente e braços ao lado do corpo (posição cinesiológica), mantendo-se imóvel por aproximadamente 3 segundos.
Execução do contramovimento: realizar um agachamento rápido e contínuo, sem interrupções.
Fase de impulso: saltar verticalmente o mais alto possível, mantendo uma transição fluida entre a fase de descida e subida, sem pausa.
Aterrissagem: retornar ao solo de forma estável e controlada, evitando passos adicionais ou perda de equilíbrio.
Finalização: permanecer parado após a aterrissagem até recuperar completamente o controle postural.
Assista o vídeo abaixo para ver a execução do teste.
Tempo de gravação típico: 20-25s. O Mokapp detecta automaticamente eventos e extrai métricas.
Eventos e fases do movimento
Para facilitar a compreensão do movimento, este é descrito a partir de eventos, que representam pontos específicos da execução, e de fases, definidas como os segmentos do movimento compreendidos entre dois eventos consecutivos.
Evento | Descrição |
|---|---|
Início | Momento em que o centro de massa começa a se deslocar para baixo, marcando o início do contramovimento. |
Ponto de transição | Posição mais baixa do centro de massa durante a descida, caracterizando a transição entre a fase excêntrica e a fase concêntrica do movimento. |
Maior profundidade (pré-salto) | Instante em que as articulações dos membros inferiores atingem sua maior flexão antes do impulso vertical, refletindo a estratégia mecânica adotada para a produção de força e potência no salto. |
Decolagem | Instante em que os pés perdem contato com o solo, caracterizando o início da fase aérea do salto. |
Aterrissagem | Primeiro contato dos pés com o solo após o salto. Momento de alta demanda mecânica para absorção de impacto e controle neuromuscular. |
Maior profundidade (pós-aterrissagem) | Ponto de maior flexão das articulações após o contato com o solo, representando a fase de absorção do impacto e a capacidade de desaceleração e estabilização do corpo após o salto. |
Fim | Retorno à posição inicial após a aterrissagem, indicando a recuperação do controle postural e o encerramento do ciclo do movimento. |
Fase | Descrição | Eventos |
|---|---|---|
Repouso | Período inicial em que o indivíduo permanece imóvel, com o centro de massa estabilizado, servindo como referência para o início do movimento. | → Início |
Descarregamento | Redução progressiva da força vertical no solo, indicando o início do deslocamento descendente do centro de massa e a preparação para a fase excêntrica. | Início → Descarregamento |
Frenagem | Fase excêntrica de desaceleração do centro de massa, exigindo elevado controle neuromuscular para inverter o movimento de forma eficiente. | Descarregamento → Ponto de transição |
Propulsiva | Fase concêntrica responsável pela geração do impulso vertical, com extensão coordenada das articulações dos membros inferiores. | Maior profundidade (pré-salto) → Decolagem |
Voo | Intervalo em que não há contato dos pés com o solo, permitindo a estimativa da altura do salto e a análise do comportamento corporal na fase aérea. | Decolagem → Aterrissagem |
Recuperação | Fase pós-aterrissagem marcada pela absorção do impacto, desaceleração do corpo e restabelecimento do controle postural. | Aterrissagem → Fim |
Principais métricas
Altura máxima do salto Mede a maior elevação do centro de massa durante o salto. Indicador direto de potência máxima e capacidade explosiva.
Altura média do salto Representa a média da elevação do centro de massa entre as repetições válidas, oferecendo uma visão mais estável do desempenho ao longo do teste.
Potência pico Indica o maior valor de potência produzido durante a fase propulsiva, refletindo a capacidade de gerar força rapidamente e a eficiência mecânica do salto.
RSI modificado Mostra o quão rápido e eficiente o corpo transforma a descida em impulso para saltar mais alto, refletindo a capacidade explosiva.
Aceleração concêntrica (média) Mede a intensidade média da aceleração do centro de massa durante a fase de impulso, indicando rapidez na aplicação de força e coordenação articular.
Aceleração excêntrica (média) Reflete o controle durante a fase de descida, associada à capacidade de desaceleração do centro de massa e à preparação para o impulso.
Velocidade de saída (média) Indica a velocidade do centro de massa no momento da decolagem, estando diretamente relacionada à qualidade do impulso e à eficiência do salto.
Repetições válidas Número de saltos considerados tecnicamente adequados para análise, garantindo confiabilidade e consistência dos resultados apresentados.
Valgo na propulsão Avalia a presença de projeção medial do joelho durante a fase de impulso, associada a estratégias compensatórias e possíveis riscos de lesão.
Valgo na recuperação Analisa o alinhamento do joelho durante a aterrissagem e absorção do impacto, refletindo controle neuromuscular e estabilidade pós-salto.
Cinemática angular
Articulações avaliadas e variáveis derivadas
A cinemática angular descreve a variação temporal dos ângulos articulares durante a execução da tarefa, sendo normalizada com base nas repetições do movimento, permitindo comparações consistentes entre diferentes ciclos e pessoas.
Articulação | Plano de movimento | Variáveis avaliadas | Como interpretar |
|---|---|---|---|
Quadril | Sagital · Frontal · Transversal | Flexão/Extensão · Adução/Abdução · Rotação interna/externa | Mobilidade global e estratégias de controle pélvico e do centro de massa. |
Joelho | Sagital · Frontal | Flexão/Extensão · Valgo/Varo | Amplitude de flexão e alinhamento dinâmico durante o movimento. |
Tornozelo | Sagital · Frontal | Dorsiflexão/Plantiflexão · Inversão/Eversão | Limitações de mobilidade que impactam profundidade e qualidade do movimento. |
O que o Mokapp fornece
Picos angulares analisados separadamente nas fases propulsiva e recuperação, permitindo identificar estratégias de controle e propulsão.
Métricas objetivas e padronizadas possibilitando comparações confiáveis entre avaliações, reavaliações e diferentes momentos do processo de reabilitação ou treinamento.
Gráficos de cinemática angular apresentando as curvas médias do movimento com seus respectivos desvios padrão entre as repetições, permitindo avaliar consistência, variabilidade e controle motor durante a tarefa.
Visualização tridimensional interativa do movimento facilitando a interpretação clínica dos dados e permitindo a exploração dinâmica dos padrões compensatórios ao longo da tarefa.
Análise bilateral com comparação direta entre os membros direito e esquerdo, apoiando decisões clínicas baseadas em assimetrias funcionais.
Índice de Assimetria (ILA, Interlimb Asymmetry Index) quantificando a assimetria entre os membros para uma mesma variável biomecânica.
Como o sistema calcula
Picos angulares. O Mokapp identifica o ponto de maior valor angular em cada fase do movimento, permitindo avaliar mobilidade e capacidade de produção de movimento.
Propulsão — valores calculados durante a fase de impulso, quando ocorre a produção ativa de força e potência para gerar o salto.
Recuperação — valores obtidos após a aterrissagem, relacionados à absorção de impacto, desaceleração do corpo e restabelecimento do controle postural.
ILA — Interlimb Asymmetry Index. Mostra o quanto os lados diferem para a mesma variável angular. Valores maiores podem indicar assimetria funcional, restrição de movimento, dor ou compensação.
Cálculo simplificado: ILA = |Ângulo maior − Ângulo menor|
Como interpretar os resultados
Picos na fase de Propulsão → refletem a eficiência na produção de força e potência para gerar o impulso do salto.
Picos na fase de Recuperação → indicam a capacidade de absorção de impacto e controle neuromuscular após a aterrissagem.
ILA elevado → indica assimetria entre os membros e deve ser interpretado no contexto clínico, considerando dor, fadiga e histórico de lesões ou cirurgias.
Mais importante que o valor isolado é acompanhar a evolução dessas métricas ao longo das sessões para uma análise mais confiável.
A cinemática angular complementa as métricas de performance e ajuda a entender o porquê do movimento acontecer daquela forma — e não apenas o resultado final.
Referências
- Anicic, Z. et al. (2023). Life 13(1). Acessar artigo
- Bishop, C. et al. (2023). Strength and Conditioning Journal 45(5):545-553. Acessar artigo
- Bishop, C. et al. (2022). Strength and Conditioning Journal 44(4):95-103. Acessar artigo
- Dai, B. et al. (2019). Journal of Strength and Conditioning Research. Acessar artigo
- Frayne, D. H. et al. (2021). Journal of Motor Behavior 53(5):545-557. Acessar artigo
- Haugen, T. A. et al. (2021). International Journal of Sports Physiology and Performance 16(2):184-189. Acessar artigo
- Kibele, A. (1998). Journal of Applied Biomechanics 14(1):105-117. Acessar artigo
- Kipp, K. et al. (2020). Journal of Sports Sciences 38(6):652-657. Acessar artigo
- Kipp, K. et al. (2021). Applied Sciences 11(13). Acessar artigo
- Kraemer, W. J. et al. (2025). Journal of Strength and Conditioning Research. Acessar artigo
- Shinchi, K. et al. (2024). Sports Biomechanics 23(12):3454-3465. Acessar artigo